There's a longing in me and it's growing strong
stronger every time I cross the door
There's an aching in my chest
caused god knows why
It has a voice that speaks to me
it begs me to come with it
Do you know where it wants to take me?
maybe home is somewhere far
and I'm stuck living in a land that it's all walls
I try to put it in words, organized ones
but these things that keep you tight
I don't want them to tie up my words
so I let them flow freely
Sometimes I hear it more clearly
it says I'm gonna die if I stay
And the moon looks marvelous
Do you want to dance? it says
I swear I do, but my legs won't budge
All the streets have faces of their own
and I know every single one of them
But other humans come to dance
it's them who keep me locked up
I get scared this humans will try to catch me
But the voice encourages me to run free
Which way should I go then?
So please, if you ever find a map
any map, really
send it to me, my love.
Maybe I'll be able to read the answers
Loud and clear
all those answers that other humans can't see.
Etiquetas: ashtray heart, crenças, desordem da personalidade, kim, poetry
Eu tenho tido flutuações de peso ao longo dos anos. E de saúde emocional, também. Tendo vindo a lidar com essas flutuações, aprendi a distinguir os comentários maldosos das críticas construtivas e habituei-me a nem sempre receber dos outros o apoio que preciso.
Não vou alongar-me sobre os problemas de auto-estima, nem das causas que muitas vezes são exteriores e provêm de sítios que deviam promover o bem-estar. Não vou, portanto, falar na contribuição dos media e etc, porque já toda a gente sabe disso.
Há uma coisa que me incomoda particularmente: detesto que as pessoas tentem diminuir os problemas dos outros como forma de "curá-los". Nenhum doente depressivo vai curar-se se ouvir as palavras mágicas "sê feliz". A depressão é uma doença, tem implicações químicas, físicas e psicológicas que, resumindo, não podem ser resolvidas num estalar de dedos. (Religião à parte) Ninguém concebe a ideia de que as palavras "vai, anda" curem um paraplégico, pois não? As doenças psicológicas, embora não se manifestem tão "obviamente" como as físicas, também não podem ser curadas só porque sim e é triste que a maioria das pessoas não entenda isto.
De qualquer forma, onde quero chegar com isto tudo? Ao
meu problema. Tenho conflitos com a minha imagem e com a minha maneira de ser que existem desde que me conheço. Não gosto do meu corpo e não gosto do meu peso...mas, constantemente, aparece alguém que tenta reduzir os meus complexos por comparação. Não gosto que comparem os meus problemas aos do vizinho. Aqui em casa é um inferno porque eu estou condenada a caminhar eternamente sobre as brasas e ninguém me dá uns sapatos; na casa do vizinho é um purgatório porque ele está com a corda ao pescoço, mas o peso foi mal calculado, o pescoço não partiu e agora ele tem de sufocar até à morte que não vai chegar. Qualquer um que tente ocupar o lugar de juiz e decidir qual de nós está a sofrer mais é um idiota. O sofrimento não se mede.
Quando não é a comparação, é a negação. "Estás nada gorda, cala-te". Eu sinto-me gorda e tenho o direito de expressar a minha opinião. Acontece que não é só opinião, eu tenho provas concretas do meu peso e da falta de estética/boa-forma do meu corpo. Não vou gostar mais de quem me disser que estou magra para agradar-me e, certamente, não vou gostar de quem desmentir aquilo que eu
sei.
Penso que o ser humano deve tentar estar em constante mutação para atingir um estado melhor. Claro que não estou obesa e nunca coloquei a hipótese sobre a mesa. Claro que há melhor e pior, mas eu sou eu e por mais pessoas que passem na minha vida, sou eu a única que terei de conviver comigo mesma para o resto da vidas. É melhor que goste de mim e, se não estou satisfeita, tenho todo o direito de desejar e exigir mais.
Gostava que, por uma vez, apoiassem as minhas decisões e ficassem felizes pelo meu empenho em progredir. Nos momentos em que simplesmente quero expressar o meu auto-ódio, gostava que me incentivassem, mas não que me mentissem ou que desvalorizassem a maneira como me sinto. Nem toda a gente pode ter um ventre liso, mas se com um pouco de esforço a pessoa pode, porque é que vou deitá-la a baixo? Se a pessoa pode passar de ser magra a ser atlética, porquê pedir-lhe que se contente com o que tem?
Para completar, queria fazer referência a todas as vezes em que estas comparações e negações são causadas por um falso conhecimento. Muitas vezes, elogiam-me, baseados no que vêem nas fotografias e no que vêem no dia-a-dia - depois de eu ter colocado toda a minha maquilhagem e vestido a roupa apropriada para me dar uma figura mais esbelta. Só em casos muito raros alguém fica melhor sem maquilhagem do que com e só em casos muito raros alguém é mais bonito na vida real que nas fotografias do facebook - fotografias escolhidas a dedo, para as quais posamos com a consciência dos melhores ângulos e às quais editamos a luminosidade ou algo mais.
Por favor, não partam do princípio de que, por ter uma cara pequenina e magra, eu sou totalmente magra. E por ter as pernas altas e esguias, não significa que não tenha gordura, fora todas as imperfeições da minha pele que escondo ou com cosméticos ou com tecido. Toda a gente parece mais bonita quando se apruma para tal.
Era só isto.
Etiquetas: crenças, desordem da personalidade, polegar para baixo
Nunca teve jeito com as mãos, então Cairo não escrevia cartas. Engolia as palavras e as palavras engordavam-lhe a alma, deixavam-na demasiado velha e pesada para um jovem da sua idade. Não era que tivesse muito a dizer, na verdade, o silêncio era uma espécie de terapia...mas, de vez em quando, seria bom poder partilhar os seus pensamentos com alguém.
Uma ideia nunca vinha só, mas presa a uma fileira de outras ideias, todas elas igualmente tristes e escuras. Irritava-o que conseguisse ver o mundo tão pormenorizadamente e perguntava-se se seria o único. Talvez fosse somente o único a não conseguir ignorar.
Tantos erros e imperfeições! Linhas grossas, caras grotescas, um planeta habitado de paisagens que os seus olhos cansados não queriam ver. Far-lhe-iam um favor se o deixassem partir mais cedo.
Por este motivo, não precisava de nenhuma Kiara na sua vida. Kiara vinha complicar a situação, torná-la mais ardil para si. Estavam a anos luz um do outro e, de certa forma, ele percebia a provocação e tinha consciência de que o seu sofrimento a entretinha. Se pudesse, colocá-la-ia num pedestal, inerte, surda e muda - morta. Seria mais fácil contemplá-la dessa maneira, sabendo que ela era apenas uma espécie de objecto de adoração, agora sim, fora do seu universo.
O tédio secava-lhe a garganta e, em breve, secar-lhe-ia as veias também.
Etiquetas: academia de heróis, contos-de-fadas, crenças, desordem da personalidade, personagens
Bebé, vou explicar-te o que é a vida.
Vais sair aí de dentro e terás sete anos de felicidade. Nada de muito cansativo será requerido de ti e poderás brincar todo o dia, sem censura.
Não te enganes, bebé. As pessoas vão dizer-te que és adulto a partir de X idade, mas essa é a mentira que inventaram para te manterem expectante. Erradamente, irás querer crescer.
Não muda muito. Na verdade, és adulto a partir do momento em que começam a prender-te numa caixa e alguém com mais idade começa a ensinar-te como não pensar. Vão dizer-te que sigas pela direita mesmo que queiras seguir pela esquerda e vão dar-te um uniforme que tu e os teus colegas têm de enrolar à volta do cérebro - o que se quer é uniformização.
Vais passar de caixa para caixa durante imensos anos. Finalmente, ser-te-á designada uma nova caixa, onde deves comer e calar. No meio disto tudo deverás escolher um parceiro para procriar, pois essa é a norma. Sairás da última caixa quando já não tiveres uso.
Se tiveres sorte, voltarás à infância. Se não tiveres sorte, terás de contar os tostões e isso rouba-te o tempo para brincar.
No fim disto tudo, uma última caixa, geralmente, feita de madeira. Se tiveres seguido bem as regras, podes ter direito a um espaço onde não há prazer carnal ou mundano. Lembra-te, enquanto estás cá em baixo deves recusar estas coisas, mesmo que te divirtam. Chegas a esse plano astral se, uma vez mais,
tiveres sorte.
Então, queres continuar?
Etiquetas: crenças, Destino
So they told me I should move on with my life, but how can I do that if it does no longer belong to me? Part of my mind is hidden in the shadows, suffocating, unable to free itself and I guess I could try to breathe deeper but it hurts my throat. Can you please hold me? The thing is, I only pretend that you can hold me when, in fact, you just bury me inside your arms. You're like a grave and I'm suicidal, always jumping to lay down on you. Can you please stop me? So they tell me I should get help, but I'm in love with the madness, what can I do?
Etiquetas: ashtray heart, crenças, desordem da personalidade, ken
Os meus sonhos são muito grandes e eu sou só uma formiga.
Etiquetas: crenças
É um ciclo vicioso e eu tenho consciência disso, mas eu sei sobre o que quero escrever e não o faço por ter medo da escrita não corresponder ao pensamento. Tenho grandes ideias, mas receio que o meu escadote seja curto demais para permitir que eu chegue lá acima.
Quando comecei a escrever a Academia, eu tinha todas as oportunidades do mundo para escrever sobre um romance, ou mesmo sobre um romance proibido. Na verdade, eu podia ter escolhido esse tema e criado uma plot com a maior das facilidades. Tive imensa dificuldade em arranjar um enredo, portanto, o lógico seria pegar nas linhas mais óbvias e cruzá-las simplesmente.
No entanto, eu não queria escrever um livro sobre amor. O amor poderia acontecer, mas não seria o centro da história e, caso não surgisse naturalmente, não seria eu a forçá-lo. Corrigindo: o meu objectivo não era abordar o amor romântico.
Ao invés, eu preferi escolher o amor familiar como fundamento de toda a jornada. Quis que a amizade fosse uma ferramenta para que aquela galeria de personagens conseguisse ter um senso de "casa"; quis que a razão para que continuassem a lutar fosse o amor incondicional que nutriam pelas suas famílias, fossem elas biológicas ou não. O livro todo é sobre laços e eu apenas coloquei esse tema num cenário fantástico, onde as leis do mundo real não se aplicam na totalidade.
Então, é por isso que tenho medo. Não fiz pontaria para acertar numa grande plot, cheia de acção e aventura; a minha mensagem não é sobre a salvação do mundo, mas antes sobre a salvação do
mundo pessoal de cada um dos protagonistas. E eles estavam lá uns para os outros, porque eu precisava que eles tivessem sempre onde pousar a cabeça, mesmo quando o colo dos pais não era opção. A amizade tomava um papel essencial nessa parte, pois era o que sobraria caso tudo o resto fosse pelos ares.
Um dos meus maiores problemas é a natureza dos meus meninos. Com algumas excepções, a maioria não se encontra disposta a formar laços novos com alguém, já que estão demasiado ocupados a tentar recuperar os antigos. De qualquer forma, a luta para voltar ao lar não lhes dá grande margem para criar relações.
O meu desejo era juntar estas pessoas - que estão bastante próximas de serem pessoas, para mim - e criar uma família para aqueles que não sabem exactamente como se realiza tal proeza. Quis misturar gente bem-disposta e generosa com gente que nunca soube o que significa estender a mão a alguém.
Achei importante transmitir a mensagem de que um homem e uma mulher podem relacionar-se sem acabarem por apaixonar-se. Achei importante transmitir a mensagem de que o amor romântico não tem de ser complicado para ser bonito. E, sim, quis mergulhar as minhas personagens em águas desconhecidas, arrastá-las para um mundo que não chega a ser de dystopia, mas que não poderia ser ideal.
Concluindo, as ideias estão todas aqui. Metáforas, simbolismos. A adolescência e aquele sentimento estranho quando percebemos que já não cabemos no colo da nossa mãe e queremos ser independentes, mas, ao mesmo tempo, não queremos afastar-nos muito do ninho. Sei lá, se calhar não quis dizer coisa nenhuma.
Muito bem, vou parar de lamuriar-me e de sofrer por antecipação...vou antes escrever. Não se pode avaliar uma página em branco, certo?
Etiquetas: academia de heróis, contos-de-fadas, crenças, nanowrimo
- Quando as pessoas ardem, elas vão para o céu. Devias pedir para ser cremada.
O som súbito da sua voz cortou o silêncio que se instalara no quarto e, por momentos, senti-me assustada com o seu timbre. Procurei ver-lhe o rosto ou, pelo menos, os olhos, mas a escuridão não permitia.
- Viraste-te para a religião? - perguntei.
- Não é religião. Nunca estiveste ao pé de uma morgue?
- Não.
- As pessoas são fumo branco, do mais branco que há, e sobem da chaminé até ao céu. Não queres ir para o céu?
A cada pergunta, sobressaltava-me mais. Ele não é muito de falar, mas quando o faz é sempre assim - para inquietar os outros; se calhar, não consegue dizer palavras normais ou ter conversas de ocasião. Mas, na verdade, talvez seja exactamente isso que me fez gostar de estar ali, a fitar o tecto ao lado dele.
- Não me respondeste. - tornou.
- Não sei o que quero.
- Não sabes se queres ir para o céu? - sentiu-o voltar a cabeça para mim. - Pensando bem, talvez já vás tarde. Estás aqui deitada comigo.
- Pronto, assim resolve-se o problema. Não importa o que quero porque estou aqui deitada contigo e, por isso, já não devo poder ir para o céu.
- Podes escolher levantar-te. Ou preferes-me a mim em vez de uma eternidade no paraíso?
Virei-me para o lado e cheguei-me mais a ele. Esperava que se distraísse com a proximidade e se esquecesse da conversa.
- Estás pouco faladora.
- E tu estás uma gralha, é assustador.
- Agora tens medo de mim?
- Sempre tive.
Finalmente, a sua atenção dispersou-se. Puxou-me para si e não precisou de verbalizar, pois eu já sabia o que ele queria.
Quando acabámos, separou-se de mim e deu-me a mão. Suspirou. A luz da manhã começava a surgir pela janela e eu já lhe conseguia ver os olhos.
- Isto entre nós é definitivo. - informou.
- Definitivo?
- É para a eternidade. Não há cancelamento, nem livro de reclamações; é como é e não tem fim.
- Está bem.
Repousei a cabeça no seu ombro e fechei as pálpebras. A minha mente era preenchida por nuvens cor de neve, no entanto, não subiam para o céu...no lugar do céu só existia um vazio tão negro quanto a cor das íris do homem com quem partilhava o colchão e, assim que o alcançavam, as nuvens dissolviam-se.
Etiquetas: ashtray heart, crenças, desordem da personalidade, ken
Sou uma marioneta. O meu propósito é ser retirada do baú poeirento e ser usada; necessito que alguém segure e puxe as minhas cordas à sua vontade, para eu estar viva.
Sei bem o que é que significa actuar. Sei que quando deixar de dar lucro, me vão tornar a colocar dentro do baú e nunca mais quererão saber de mim...vão cortar-me as cordas e deixar-me inutilizada.
Podia cortá-las eu mesma e ganhar a minha liberdade, mas o problema é que eu não quero ser livre. A única coisa que quero - e quero-a de uma maneira desesperada - é que continuem a puxar por mim. Não me importa as consequências da minha burrice, só me importa o momento presente e, no momento presente, tudo o que sinto é uma agonia excessiva que me faz enrolar-me toda em torno das mãos que me seguram para ver se consigo impedir que elas me larguem. Bem sei que os meus esforços são inúteis, mas eu também sou bastante inútil e não consigo pensar no futuro.
Quando me deixam, sinto o vazio. Parte de mim foi destruída por tesouras enferrujadas e já não posso voltar a ser conduzida por ninguém.
É isso, sinto que sou uma marioneta que perdeu as cordas e que, portanto, já não pode ser usada. Falta-me um pedaço de mim e é bastante difícil conseguir continuar a olhar para as outras bonequinhas como se tivesse interesse nelas, quando raramente tenho - a culpa não é delas, é minha, porque não consigo que a minha possível atenção por elas seja nem a sombra do que era a atenção que recaía sobre a pessoa que me controlava.
Gosto muito de falar em independência, mas fecho-me a mim própria numa caixa sem qualquer hesitação.
Etiquetas: crenças, desordem da personalidade, dor
Estou a tentar muito firmemente não chorar, embora ache que a tarefa seja impossível.
Eu não sou pessoa de expressar o que sinto desta forma, não na noite X ou Y, porque nunca esperei para escrever quando quero. Se calhar porque escrever é tão meu que o considero uma extensão de mim mesma, um novo membro do meu corpo. No entanto, dizem que morremos todos no ano passado e que 2013 foi só um sonho, então talvez este meu ano no purgatório mereça um texto dedicado inteiramente a ele, não? Pois cá vai, meus companheiros do pós-vida:
Quero agradecer a quem me ajudou a chegar até Dezembro. Não foi um ano particularmente bom, mas foi o último de três anos que me pareceram durar tempo demais...talvez tenha sido o pior. Sei agora avaliar que evoluí para um estado novo, como sempre, bastante pouco dado às pessoas. Perdi a capacidade de acreditar em muitas coisas e se entrei no secundário com a esperança de uma etapa nova, cheguei ao final desejosa de sair daquilo que me pareceu um Inferno pessoal.
2013 foi um ano apático. Queria enrolar-me na cama e não abrir nenhuma janela. Faltei tantas vezes à escola que se não fosse a boa vontade dos professores, eu teria realmente chumbado.
Tenho vindo a perder muito à medida que cresço. Não é tão fácil falar com as outras pessoas e contactos sociais tendem a assustar-me. Por vezes, passo tanto tempo em silêncio, lá fora, que me esqueço de como se utiliza a voz e isso assusta.
A universidade não corresponde àquilo que esperei, mas tenho a liberdade de poder estar a sós comigo mesma sem ninguém se incomodar por tal. Ser invisível não é assim tão mau, não me magoa. E ainda que me sinta a ser arrastada pela corrente, pelo menos, estou em movimento.
Eu sei bem o que perdi e sei o quanto me faz falta. Se calhar estou a ser ridícula - já tinha aprendido que as pessoas são substituíveis -, mas todos os dias me dói. Acho que nunca tinha doído tanto.
Também sei o que ganhei. E sei que à pressa de substituir os meus apoios para não cair de cara no chão, posso ter forçado um telhado sobre pilares fracos que, mais tarde, talvez acabem por desmoronar-se e deixar-me soterrada nos destroços. Ainda assim, obrigada a quem está aqui agora. Penso não ser necessário dizer nomes, toda a gente sabe onde passo os dias e quem os passa lá comigo, mas muito obrigada e se, num ínfimo apenas, vocês sentirem por mim a mesma dependência e afeição que eu sinto por vocês, vou sentir-me feliz. Peço perdão por ser tão egoísta e querer absorver totalmente aquilo de que gosto.
Devotei a minha alma àquele que me preenche os pensamentos, fiz um pacto mal feito. E, pela primeira vez, consegui terminar um livro, então, Demon King, despacha-te e faz-me concretizar aquele meu sonho! Quero as prateleiras preenchidas pelo meu nome e quero que, algum dia, alguém se sinta tão confortado pelos meus livros como me sinto pelos livros dos outros.
Se fui um fracasso durante todo o ano, vamos agradecer a Novembro pelos dois livros que acabei. Ena, dois livros inteiros...não sei realmente se têm a mínima qualidade, mas é preciso colhões para escrever todos os dias e chegar às cinquenta mil palavras num mês. Parabéns a mim, fiz algo incrível por uma vez que seja.
Penso não ter nada mais a declarar. Vemo-nos no purgatório, ou então na Braseira quando o Ken me enviar um mapa que preste.
Traz-me novidades, 2014.
Etiquetas: crenças, desordem da personalidade
Primeiramente, tudo é melhor à noite. Gosto de estar às escuras, a televisão não está ligada para me distrair, posso estar na cama e toda a gente dorme, por isso, há silêncio e privacidade.
Depois, a noite é a única parte do dia em que sinto que estou num hiatus...não sei, é o meio de tudo e eu gosto de estar no meio.
Também há sempre algo mais para fazer como ver outro episódio, escrever outra linha ou a simples dor de ter de separar-me do computador. Porque depois vou para a escola e mesmo que não haja escola, eu só vou voltar para ele daí a horas. Há tanta coisa que posso fazer agora, custa-me tanto quebrar a adição.
Dormir mete-me medo. Parte de mim é uma criança pequena que não quer ir deitar-se. Dormir é estranho...fico horas perdida num mundo que não é real, não sei para o que vou, não sei se vou ter um sonho ou um pesadelo, não sei se vou tornar a acordar. Mas apesar de serem horas, parecem segundos e é tão assustadora a maneira como horas passam sem que eu dê conta! Eu, inconsciente, num mundo que não me pertence e a pertencer a pessoas que não vou poder ver no dia seguinte.
Se for dormir, quando acordar vou estar mais velha, mais próxima do fim. Eu e toda a gente com quem me preocupo. Se ficar acordada, sinto que estou a prolongar o tempo, a congelar algum pedaço dele.
Acho que as últimas razões são a minha lógica esquisita de "se vou dormir pouco, mais vale não dormir nada". Pois, vejamos, dormir é desperdiçar horas em que estou viva e se vou estar cansada na mesma, por que não ficar acordada e aproveitar? A última mesmo é a excitação de estar a errar, a fazer uma loucura já que as minhas loucuras nunca foram muito iguais às das outras pessoas. A adrenalina afasta o sono.
Acho que é por isto. Ou então, na minha última vida, fui morta enquanto dormia.
Etiquetas: crenças, desordem da personalidade
Já percebi o porquê de não conseguir manter diários. É que as coisas acabam sempre por desaparecer e eu não quero revê-las nas páginas escritas.
Etiquetas: crenças
Escrever para quê?, pergunta o rapazinho indolente.
Meu menino morto e triste que vives todo dentro de mim, na minha cabeça porque me ocupas os pensamentos, no meu coração porque não tenho olhos para outro, no meu regaço porque tornas-me estéril e em todo o meu ser, impregnado até ao osso...meu menino, escrever para quê? Escrever para que sim. Escrever para viver. Escrever para não adoecer.
Etiquetas: crenças
Vivemos num mundo em que ser rico é ter dinheiro.
Etiquetas: crenças, polegar para baixo
Por favor, não me faças acomodar na vida, não me prives dos sonhos, não me amargures. Mantém-me a criança feliz que às vezes sou, dá-me os caminhos correctos para seguir, venda-me se eu for mais alegre vendada e dá-me forças.
Diz-me que a vida é um livro, concede-nos baladas, mostra-me que para se ser bonito não tem de se ser imaginário. Quero que me contes como os homens são belos e as mulher interessantes, quero que me juntes aos que me são próximos, que lhes atrases a linha da morte até eu estar preparada.
Deus, enxuga as lágrimas que estou a chorar, embala-me com canções sobre o amor e o sucesso, contraria-me as ideias e ganha, mostrando-me que ninguém se acomoda, que a vida é mais do que isso. Pega-me na mão e escreve através de mim. Dá-me independência, move as minhas pernas na direcção do desconhecido, deixa-me cair e apara-me com uma rede larga.
Tu que estás mais alto do que eu, diz-me se vês luzes e fios que entrecruzam as pessoas porque tu o dizes ou se vês água salgada e terra batida.
Espero que sejamos mais.
Etiquetas: crenças, desordem da personalidade, futuro
Sinto falta do tempo em que as palavras fluíam facilmente, em que bastava estender a vista pelo espaço em branco para começar imediatamente a manchá-lo de letras. Mas também sinto falta da época inexistente, quer dizer, quando estou longe da mesma...porque por alguns segundos eu consigo realmente acreditar que faço parte dela, seja enquanto durmo e deambulo, seja enquanto me coloco inevitavelmente num cenário fictício. Por isso, eu vivo através do intangível, do irreal, do inconsciente, mas é esse mundo que me pertence, ou ao qual pertenço mais.
Para além do imaginário, o meu perímetro é delimitado como o de um peixe num aquário e eu não sei viver nele, não me adequo, então, sigo muito naturalmente a rotina - habito o real pela necessidade lógica e aguento-o, sem pensar muito nisso, até à altura do dia, ou do fio de pensamento frágil, em que posso sentir-me ambientada, eu mesma, creio que equiparada àquilo a que se chama "feliz", mas cujo normal conceito não é o mesmo que o meu. Assim, estou no mesmo espaço que os outros seres humanos, caminhando em linha paralela, mesmo ao lado, mas não exactamente junto deles...e quando eles se afastam para as suas zonas de felicidade palpável, eu afasto-me para a minha que é, no entanto, situada no abstracto.
Etiquetas: crenças, desordem da personalidade
Das coisas bonitas: pergunta-me sobre religião e eu não vou saber o que dizer, vou tropeçar nas palavras, vou escrever pouco e ter uma opinião muito vaga. Pergunta-me o que pensa uma das minhas personagens acerca de religião e eu vou construir-te três parágrafos facilmente.
Às vezes acho que eles têm mais vida do que eu mesma e que apenas estou aqui para ser um fio condutor, entre eles e o mundo.
Etiquetas: crenças, desordem da personalidade, personagens
Há uma parte de mim - e eu não sei qual a sua dimensão - que se envolve demasiado contigo. Abraça-te, aceita-te, morde-te, castiga-te, ama-te. Não sei se és tu maior ou se sou eu e não sei se essa parte é o todo ou se são estas parcelas que me constituem...Queria conseguir descobrir-te, descobrir-me, mas não parece a meu alcance. O que digo, o que faço, o que penso e o que escrevo parece encenado. O que é real? Eu sou real?
Talvez a parte seja falsa, mas talvez a parte seja verdadeira e o resto seja orquestrado. Sou orquestrada? Não sei. Não sei se o que falo é o que quero falar e não sei para que lado raciocino. Às vezes acho que há sempre uma personagem diferente dentro de mim e não sei quem sou para além das personagens. Quem sou?
Não te quero ver queimar, porque não te quero deixar ir, não importa o teu grau de destruição. Quem seríamos se não nos tivéssemos?
Etiquetas: crenças, desordem da personalidade, mata, nós aqui
Outra das mil coisas que não entendo é o porquê das pessoas abrirem um blog, começarem a postar uma história e depois - puff! -
disapparate. Não percebo, não percebo, não percebo, aquelas pessoas cuja carreira é criar e abandonar blogs consecutivos, sem sequer dar uma explicação, sem sequer se dar ao trabalho de os apagar ou ocultar. Eu sou uma pessoa cheia de manias, não gosto das coisas cheias e não gosto certamente de tropeçar num monte de blogs inactivos. Tudo bem que não sou propriamente o
Holy Spirit do negócio, mas pelo menos eu comunico e não é meu hábito começar a postar uma história para depois cortar com ela de súbito. Não gosto de pessoas que deixam tudo a meio e não gosto certamente de desistentes.
Torço ligeiramente o nariz quando leio aqueles textos muito chateados de alguém que perdeu seguidores e que por isso vai parar de partilhar o que escreve. Então é assim, eu tenho ideias e projectos guardados só para mim que não postarei pela simples e ridícula razão de que quero trabalhá-los afincadamente e, quem sabe, conseguir publicá-los - são os meus
golden thoughts (ai que eu hoje estou tão pouco portuguesa!) e não tenho vontade de os publicar já, de correr riscos. Para vocês não pensarem que minto, eu criei o meu Jack há cerca de um ano e alguns meses, mas vocês ainda não o viram inserido em nenhuma história, pois não? Nem sei se vão ver, sou muito medrosa.
Perdi-me, como faço sempre a meio dos posts. Anyway, para as pessoas que ficam com poucos seguidores ou que sempre os tiveram: abracem esses poucos, pois eles são melhores que nenhuns. O assunto dos leitores-fantasma está muito subvalorizado, porque a verdade é que às vezes não existe mesmo a noção da quantidade de pessoas que nos lê sem deixar marca. E vocês postam para agradar às massas ou pelo gozo de postar? Não se esqueçam que com a popularidade vem
o plágio aquela pessoa e a outra a seguir que quererão inspirar-se em vós. Claro que não precisam de ser "conhecidas" para que alguém se inspire em vocês
vos plagie, mas é uma ajuda. E acontece que muitos blogs e muitas fics são sobrevalorizadas, ou seja, faz-se muito burburinho ao redor, vêem-se muitos comentários, mas a qualidade escasseia.
Isto tudo para dizer que o prazer de escrever nalgum lado e deixar on-line deveria superar a necessidade de elogios - ainda que eu saiba que o feedback é super importante, mas que se pode fazer? - e que vocês deveriam postar por quererem terminar a história, puxar as cordas e apreciar depois o resultado, nem que seja só para vocês. Aí está o ponto, eu posto porque não acho piada a guardar no pc sem uma única alma, para além da minha e dos meus fantasmas, ler. Mas vocês não precisam de partilhar a minha opinião e podem exactamente escrever sem exibir, num caderno ou mesmo num blog privado como o meu
Nevermind. Tanto faz, desde que não abandonem obras a meio ou não as publiquem com a intenção clara de receber comentários para depois a suspenderem por falta deles.
Podem ir, meus filhos.
Etiquetas: crenças, do social, personagens