O bom filho à casa torna, por isso, aqui estou eu novamente caída. E então vou explicar-vos porquê este, afinal de contas, eu tenho esta mania recriminável de adorar explicar-me às paredes.
É que este foi o primeiro e o primeiro é sempre tão mais bonitinho que os outros! Pelo menos, é-o enquanto eu me lembro de vasculhar os confins dos baús que vou abandonando pelos cantos da casa. Os cantos da casa, por falar nisso, precisam de uma limpeza a fundo. Quero organizar as tags que estão feitas num Apocalipse e dar uma passagem de olhos pelos posts que isto de importar tem vantagens, mas também tem contras.
Muito sinceramente, onde fui mais eu do que aqui? É difícil encontrar sítio comparável e poupam-me a maiores explicações sobre títulos e nomes e todas essas futilidades. Coitadinha, se calhar tenho um problema nos olhos e não consigo ver o ecrã igual por muito tempo, daí as constantes mudanças. Mas eu vou tentar assentar, a sério (nem por isso), e quando me cansar, dou um mergulho nas velharias para ver se me torno a apaixonar.
Se eu fosse conselheira matrimonial, começava por aconselhar os casais com problemas a darem uma olhadela ao álbum das alturas mais áureas, porque a nostalgia traz não só a inspiração, como também o deslumbre, acho eu.
Então cá estou eu, medicada. E tu, como vais? Ah, bem-vindo de novo à boca da braseira.
Só que eu tenho mais a dizer, por que não dizer tudo de uma vez e ficar sem assunto para outros dias? Olhem, meus bens, tenho a anunciar que me comprometi com o rei das castanhas e estou até desconfiada de que ele me criou. Não Deus, mas o homem das castanhas, vejam só. Portanto, se ele me criou, também deve ter criado o R. e não deve haver muito mal neste afastamento que eu requeri a esse. É pena que o meu cônjuge não esteja hoje em casa, mas às vezes ele erra o caminho para o meu quarto.
E depois, também, por que não chafurdar mais na depressão? Ando tão, tão animada que de quando em quando vomito raios de sol. Não se nota logo o quão mais fácil é abrir-me neste blog? Estou em lençóis familiares, deve ser por isso. Mas terminei o secundário (acho), já não vou nada mal...é mais uns anos disto, outros de trabalho específico e junto-me às brasas. Que felicidade, que visão optimista da vida!
Estou a divagar muito? Perdão, mas são cinco da manhã e eu não tenciono acordar antes das cinco da tarde, então fica difícil manter a coerência.
Amanhã subo à prancha mais alta e mergulho de cabeça na piscina, esperem por mim. Amanhã não, mais logo.
ps: e eu sei que já não tenho leitores, e tal, mas o sistema das cartas está aberto, então escrevam-me nos vossos blogs, enviem comentários, ou peçam-me o mail, sei lá. tá, xau.
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Tornei-o num daqueles blogs dos quais nunca gostei. Sou tremendamente ausente, posto míseros textos, reduzidos em todas as dimensões e não chamo, nem dou a atenção necessária. É engraçado como tão facilmente nos metamorfoseamos naquilo que detestamos.
Etiquetas: nós aqui
Há uma parte de mim - e eu não sei qual a sua dimensão - que se envolve demasiado contigo. Abraça-te, aceita-te, morde-te, castiga-te, ama-te. Não sei se és tu maior ou se sou eu e não sei se essa parte é o todo ou se são estas parcelas que me constituem...Queria conseguir descobrir-te, descobrir-me, mas não parece a meu alcance. O que digo, o que faço, o que penso e o que escrevo parece encenado. O que é real? Eu sou real?
Talvez a parte seja falsa, mas talvez a parte seja verdadeira e o resto seja orquestrado. Sou orquestrada? Não sei. Não sei se o que falo é o que quero falar e não sei para que lado raciocino. Às vezes acho que há sempre uma personagem diferente dentro de mim e não sei quem sou para além das personagens. Quem sou?
Não te quero ver queimar, porque não te quero deixar ir, não importa o teu grau de destruição. Quem seríamos se não nos tivéssemos?
Etiquetas: crenças, desordem da personalidade, mata, nós aqui
3333 visualizaçoes, 3 visualizaçoes hoje, 3(9) visualizaçoes ontem, (44)3 no ultimo mês. E 3 páginas de posts, mas enfim.
[edited] OMG EU NÃO FIZ DE PROPÓSITO, MAS METI 3 TAGS. Já parei, SÃO QUASE 3 DA MANHÃ.
Etiquetas: Destino, nós aqui
Quero começar por falar-te da água. A água do meu blog é clara e tão bonita com os peixinhos a nadar e a tonalidade a aprofundar-se do lado esquerdo...parece-me um tanque porque se tem a sensação de pouco espaço, ao contrário do
skinny love que me parece fazer crescer o ecrã. Quis tudo escuro, a estrela é mero adereço e não tem nada a ver com ironias, o fundo tinha de ser água, a nostálgica água com peixes que faz uma daquelas imagens bonitas, aquelas que as pessoas agora todas gostam de usar. Mas eu escolhi a água porque tenho medo dela, porque queria criar algo onde me sentisse mal, sufocada, receosa. Ora, lamento desiludir, mas escolhi a água, não por ser bonita, mas para me fazer sentir medo...teria mais medo se fosse um lago negro, mas o simbolismo é o que me importa. Tudo aqui tem um simbolismo.
Quero largar o primeiro assunto - oh, olha uma anáfora no "quero", "quero! -, mas a última imagem é um rio e eu acho os rios tão interessantes. Quando era pequena lembro-me de estar metida num e olhar para a corrente que lá ao fundo caía em cascata (?) e pensar para mim mesma no que aconteceria se eu fingisse que tinha sido arrastada pela força da água, mas na realidade me deixasse ir de propósito. Sempre tive vontade de me magoar de propósito, mas não deixar ninguém perceber. Tenho mesmo muito medo de águas fundas e escuras.
O outro blog parece maior, já te disse, e é tão bonito! Também adoro matas, sempre adorei. Quando era criança, levavam-me uma vez por ano (e não sei se eram anos consecutivos) para comer no meio do arvoredo e eu brincava sempre com os paus e as folhas, pensava em afastar-me demasiado e perder-me - meu Deus, como nunca percebi que sempre tive vontade de fazer o mal?
A minha mata tinha de ser escura e assim, vista debaixo, dá a sensação de que estamos lá, com a cabeça levantada para as copas. Eu quero que se sinta que estamos lá, em Mountain Fall, na mata. E sempre que abro o separador, sinto uma brisa a correr por mim como se estivesse realmente lá; da primeira vez julguei que fosse a janela, mas não é. E se estiver a invocar uma velha terra, lenda, história? Ou se estiver a receber mensagens da outra vida ou da que vivo na realidade, porque esta é a vida sonhada ou o escape de um doente mental...eu perco o sentido facilmente.
Estou a escrever demais.
Estou apaixonada por Mountain Fall, nunca o estive por outra das minhas criações como estou agora. Acho que encaixaria na história e acho que às vezes deixo a Dawn encarnar-me, a Dawn ou quem quer que seja a personagem escolhida.
Não deixei de ser Kate e não estava à espera que tanta gente pensasse isso. Barbie Malibu é como um username, não é real, entendes? Kate Addison Cooper é o meu nome. O que eu julgo ter, pelo menos. A Barbie Malibu tem uma história parva, mas encaixava-se tanto na minha ironia, na minha acidez...gosto da divergência das minhas palavras com o nome com que as assino. Assim as pessoas vão entrar e encontrar aquilo que não esperam - porque eu adoro tanto dar ideias erradas!
Vou embora, tenho o meu menino de olho azul para encarnar. Bye bye.
ps: tenho tantas saudades do Jack! nunca mais peguei nele.
ps: estou a usar muitos pontos de exclamação e eu quase nunca uso pontos de exclamação porque acho que me fazem parecer tonta.
ps: vou ter muitas saudades de literatura portuguesa.
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Não temos tempo, nem espaço. Aqui, os relógios não funcionam e não se usa qualquer tipo de calendarização, porque nós somos eternos. Estávamos lá quando O pregaram na cruz e estaremos lá quando se comer o último pedaço de carne, o derradeiro acto de canibalismo.
Somos do sonho e não conhecemos o nexo, pois os pesadelos caminham entre nós e a alucinação reina.
Estamos presos, mas somos mais livres na mata do que na liberdade da realidade - que é a maior das prisões.
E não temos nomes, porque os nomes não têm interesse. Somos um só, triste e cinzento, às vezes translúcido.
Encurralamo-nos voluntariamente para nos rebelarmos contra o encurralamento involuntário a que somos sujeitos; mas somos encurralados desde que nascemos, porque tinha de ser assim, porque fomos amaldiçoados ao primeiro choro.
Mas não temos tempo, nem espaço e somos anestesiados e não sentimos, ou sentimos mais intensamente...
Escolhemos sofrer às mãos de forças maiores e das nossas próprias mãos, do que às mãos do resto da humanidade.
- Sorri, estás a ser observada.
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Tentei passar-me a ferro, atenuar as dobras e alisar-me, no entanto, estou igual ao que era. E agora muda-se quem somos, é? Oh, bem que tentei! Troquei o detergente, fui à lavandaria, sequei-me numa máquina...: tudo em vão.
Não me caía bem o amaciador; está certo que me...amaciava, mas não me vi preparada para quebrar rotinas e constatei que ele tinha muito pouco a ver com o meu tecido. Os reclames eram bonitos, não haja dúvida, tinham até algo de sonante, - uma alusão à fama! - mas que tinham eles de história? Eram...impessoais, demasiado impessoais para os tornar na minha marca.
Não me consegui desfazer disto. Podia funcionar bem em termos de privacidade - não se deve lavar a roupa suja em público -, mas continuava a não assentar bem na etiqueta da minha ganga.
Posso ser uma peça usada e sem grande valor no mercado, mas foi assim que me fizeram e é assim que me sinto autêntica. Ou então é só teimosia de um cliente antigo, de costas voltadas à inovação.
Se o meu novo visual fosse uma pessoa, estava eu a caminho do altar.
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Corre-me nas veias este sangue empestado, esta vontade de sofrer.
Aqui é tudo negro e morto; ou então os sinais de vida são demasiado pequenos para aparecerem na grande imagem. Árvores altas a toda a volta, escuro - muito escuro -, friagens que correm entre os galhos onde pousam corujas que nos seguem com os olhos redondos como a lua, a noite toda, sem cessar, sem se sensibilizarem, sem se chocarem com o que quer que aconteça por cá...Os passos que damos, acelerados numa correria atormentada, são compassados pelo som de folhas que estalam e quebram sob os nossos pés; há sempre pares de íris incandescentes a espreitarem as nossas acções, ocultadas pela flora.
Não morremos simplesmente - morremo-nos aos poucos, descaindo a um nível lento, mas a uma profundidade assustadora. Temos os cabelos presos nas ramagens, somos sacudidos pelo vento nocturno, vivemos - falecemos, não sei... - somente quando o céu é negro. Os animais passam ágeis, ao longe, fogem os mais pequenos dos maiores...e nós ficamos.
Chego sozinha porque ninguém se atreve a acompanhar-me. Não é necessário publicitar a mata; quem tiver de estar aqui, aqui chegará por seus próprios comandos. Nunca precisei de arrastar ninguém, de dar a mão a um fugitivo para que não nos perdêssemos na fuga - já disse, ninguém me acompanha até à mata.
Temos todos olheiras a marcarem os nossos rostos, somos todos cansados, velhos antes do tempo, de roupas rasgadas e manchadas de terra. Andamos no chão, subimos às árvores, escondemo-nos em tocas.
Talvez os gritos e o choro sejam os sons mais constantes. Por vezes tremo, gemo, sinto o meu corpo aberto em cortes, os meus ossos enregelados, a morte tão perto de mim. Não poderia ser de outra forma, no momento em que abri os olhos, condenaram-me a viver perdida entre ramagens.
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Sou, talvez, um conjunto de remendos agrafados uns aos outros- não cosidos, agrafados. Denomino-me e intitulo os meus pertences com nomes alheios, com expressões que não me pertencem, com influências do submundo e das coisas que não são minhas contemporâneas. Sou uma vontade sôfrega de absorver a cultura que, para mim, é maior, mais abrangente na sua forma de floresta escura que deixa escorrer luz através dos galhos.
I'm medicated, how are you? Dou-vos as boas-vindas à Boca do Inferno, ao sítio por onde saem os bichos do diabo, as coisas malignas que deviam permanecer encerradas num sarcófago. Quando abre os lábios, esse Inferno temeroso, antevê-se o Apocalipse e saltam porcarias de dentro dessa mesma boca, palavras conspurcadas para dentro de um mundo também ele conspurcado. No entanto, arrota largamente o Inferno e são tocados os sinos de chamada, é dado o recrutamento - todos os homens, mulheres e crianças, chamam eles. E forma-se o exército, derrama-se o sangue inocente, o sangue não tão inocente; fecham-se os dois lábios, cosem-se a sangue frio, fica encerrado o mal pela eternidade que pode demorar uma semana.
As almas que saem dos corpos escorregam esguias de dentro deles, esvoaçam pelo ar, pelo espaço não denominado, até entrarem na sala de cortina vermelha, depois de passarem a poça negra, pisando o chão de xadrez que os conduz até ao sofá.
Esta é a sala de espera. Gostaria de tomar um café? Alguns dos seus amigos estão aqui, diz-lhes o anão. E sentam-se na alcofa vermelha, com diabos a correr de um lado para o outro, quem sabe anjos a descer pelo ar...
Aqui, lado a lado, caminham as coisas divinas e as coisas baixas. Aqui mistura-se tudo numa conturbação frenética da mente que não sabe quem é, ou o que quer. Espero encontrar-me na luz, estender a mão à lança e guerrilhar até declarar vitória...mas serão sempre bem recebidos os que se perderam no meio da mata, sem culpa, sem a inocência que foi já roubada à força de uma dentada.
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