Bebé, vou explicar-te o que é a vida.
Vais sair aí de dentro e terás sete anos de felicidade. Nada de muito cansativo será requerido de ti e poderás brincar todo o dia, sem censura.
Não te enganes, bebé. As pessoas vão dizer-te que és adulto a partir de X idade, mas essa é a mentira que inventaram para te manterem expectante. Erradamente, irás querer crescer.
Não muda muito. Na verdade, és adulto a partir do momento em que começam a prender-te numa caixa e alguém com mais idade começa a ensinar-te como não pensar. Vão dizer-te que sigas pela direita mesmo que queiras seguir pela esquerda e vão dar-te um uniforme que tu e os teus colegas têm de enrolar à volta do cérebro - o que se quer é uniformização.
Vais passar de caixa para caixa durante imensos anos. Finalmente, ser-te-á designada uma nova caixa, onde deves comer e calar. No meio disto tudo deverás escolher um parceiro para procriar, pois essa é a norma. Sairás da última caixa quando já não tiveres uso.
Se tiveres sorte, voltarás à infância. Se não tiveres sorte, terás de contar os tostões e isso rouba-te o tempo para brincar.
No fim disto tudo, uma última caixa, geralmente, feita de madeira. Se tiveres seguido bem as regras, podes ter direito a um espaço onde não há prazer carnal ou mundano. Lembra-te, enquanto estás cá em baixo deves recusar estas coisas, mesmo que te divirtam. Chegas a esse plano astral se, uma vez mais, tiveres sorte.

Então, queres continuar?

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3333 visualizaçoes, 3 visualizaçoes hoje, 3(9) visualizaçoes ontem, (44)3 no ultimo mês. E 3 páginas de posts, mas enfim.
[edited] OMG EU NÃO FIZ DE PROPÓSITO, MAS METI 3 TAGS. Já parei, SÃO QUASE 3 DA MANHÃ.

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Sou demasiado auto-destrutiva para me manter sóbria por muito tempo. Começava a estranhar a calmaria em que me encontrava mergulhada...a estabilidade amorosa (que para mim equivale à inexistência de qualquer actividade dentro desse campo), o lugar de melhor aluna, responsável mediadora dos conflitos e a amiga mais despercebida do grupo (quando tinha um) não encaixavam particularmente na imagem que formei de mim mesma. Mas, por outro lado, tenho vindo a pensar que a imagem que fiz de mim é uma imagem disforme que não podia ser de outra forma, pois como a voz que tu ouves não é a voz que eu te oiço, a imagem que tu me vês, naturalmente, não deve ser a mesma que eu vejo.
Não consigo cingir-me a um assunto, porque começo a divagar.
Continuando; estava eu nesse estado de semi-apatia, sem nada para fazer, exceptuando a rotina que se estabeleceu nem sei bem como...E depois utilizei-te como desculpa para retornar à mata onde cresci.
Não foste tu a arrastar-me para o sítio onde eu já pertencia. Eu caminhei pelos meus próprios pés e apenas me limitei a vendar os olhos para parecer que não sabia para onde me dirigia...A tristeza, a raiva e a confusão estavam cá dentro, escondidas num recanto.
Em primeiro lugar, não amadureci como fiz parecer a algumas (poucas) pessoas. Eu mudei porque fui obrigada a mudar, porque as circunstâncias me obrigaram a encolher como uma lesma, quando a pessoa lhe toca com a ponta do sapato provocador; e não houve realmente mudança - arrumou-se um boneco para se dar corda a outro.
Realmente, não me integrei por um momento sequer, tudo o que fiz foi tentar uma camuflagem. Como falei pouco aos desconhecidos, as pessoas tomaram-me por tímida e não perceberam o ódio que lhes tenho; como tenho cara de antipática, as pessoas tomaram-me por arrogante e não perceberam que era um ar triste e carregado de velha; utilizei da fala constante e da minha arte para contar piadas, assim ninguém me viu com olhos de pena; desculpei-me com a dúvida vocacional para ninguém perceber porque é que eu queria ir aos psicólogos; aprendi a usar da graça para evitar perguntas; encenei para mim mesma como se fosse muito estudiosa, para ter algo onde ocupar o tempo,... No geral, fui muito fácil de aturar, ninguém precisou de saber dos meus choros da meia-noite e evitei vampiros leitores de mentes que facilmente detectariam os momentos em que finjo ouvir a professora de geografia e idealizo o meu funeral.
Falei há pouco em circunstâncias - foram as circunstâncias que me levaram de volta ao pontinho negro e não o pobre do amor por um Arco-Íris. O amor ajudou (coisa estúpida que ajuda sempre a demência!), mas usei-o para ter algo que contar, caso se vissem as olheiras no meu rosto, as marcas das unhas nos meus braços, as ideias suicido-homicidas na minha cabeça.
Hm, não sei, continuo isto depois. Quero ir para Mountain Fall.


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Não temos tempo, nem espaço. Aqui, os relógios não funcionam e não se usa qualquer tipo de calendarização, porque nós somos eternos. Estávamos lá quando O pregaram na cruz e estaremos lá quando se comer o último pedaço de carne, o derradeiro acto de canibalismo.
Somos do sonho e não conhecemos o nexo, pois os pesadelos caminham entre nós e a alucinação reina.
Estamos presos, mas somos mais livres na mata do que na liberdade da realidade - que é a maior das prisões.
E não temos nomes, porque os nomes não têm interesse. Somos um só, triste e cinzento, às vezes translúcido.
Encurralamo-nos voluntariamente para nos rebelarmos contra o encurralamento involuntário a que somos sujeitos; mas somos encurralados desde que nascemos, porque tinha de ser assim, porque fomos amaldiçoados ao primeiro choro.
Mas não temos tempo, nem espaço e somos anestesiados e não sentimos, ou sentimos mais intensamente...
Escolhemos sofrer às mãos de forças maiores e das nossas próprias mãos, do que às mãos do resto da humanidade.

- Sorri, estás a ser observada.


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Corre-me nas veias este sangue empestado, esta vontade de sofrer.
Aqui é tudo negro e morto; ou então os sinais de vida são demasiado pequenos para aparecerem na grande imagem. Árvores altas a toda a volta, escuro - muito escuro -, friagens que correm entre os galhos onde pousam corujas que nos seguem com os olhos redondos como a lua, a noite toda, sem cessar, sem se sensibilizarem, sem se chocarem com o que quer que aconteça por cá...Os passos que damos, acelerados numa correria atormentada, são compassados pelo som de folhas que estalam e quebram sob os nossos pés; há sempre pares de íris incandescentes a espreitarem as nossas acções, ocultadas pela flora.
Não morremos simplesmente - morremo-nos aos poucos, descaindo a um nível lento, mas a uma profundidade assustadora. Temos os cabelos presos nas ramagens, somos sacudidos pelo vento nocturno, vivemos - falecemos, não sei... - somente quando o céu é negro. Os animais passam ágeis, ao longe, fogem os mais pequenos dos maiores...e nós ficamos.
Chego sozinha porque ninguém se atreve a acompanhar-me. Não é necessário publicitar a mata; quem tiver de estar aqui, aqui chegará por seus próprios comandos. Nunca precisei de arrastar ninguém, de dar a mão a um fugitivo para que não nos perdêssemos na fuga - já disse, ninguém me acompanha até à mata.
Temos todos olheiras a marcarem os nossos rostos, somos todos cansados, velhos antes do tempo, de roupas rasgadas e manchadas de terra. Andamos no chão, subimos às árvores, escondemo-nos em tocas.
Talvez os gritos e o choro sejam os sons mais constantes. Por vezes tremo, gemo, sinto o meu corpo aberto em cortes, os meus ossos enregelados, a morte tão perto de mim. Não poderia ser de outra forma, no momento em que abri os olhos, condenaram-me a viver perdida entre ramagens.

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Tenho vindo a acreditar muito no Destino; se o grande Camilo ou o Almeida o defendiam com tanto fervor, quem sou eu para discordar? Falamos de escritores de renome, pessoas cultas e estudadas… É, começo a acreditar.
Não é à toa que acabei enrolada no Amor de Perdição…e não sou eu que brinco constantemente com a possibilidade de ir parar a um convento? Cheira-me que o meu Destino será trágico como um bom e característico livro do Romantismo. Pena que eu tenha tanto do Realismo, também; até a minha literatura é inconstante.


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