Chamo-te como se valesse a pena, como se viesses ao meu chamamento. Não vens, claro está.
A culpa foi minha, sabes? No fundo, foi como se te empurrasse para a perdição, para uma maldita viagem só de ida... E nunca eu me veria nestes termos, a falar numa viagem amaldiçoada, nada metafórica, real e mortal.
Ah, desenvolvi fobia a aviões - a aviões e a relógios. Na verdade, todo o conceito de tempo agora me enoja como se os Deuses me espetassem constantemente a lembrança de ti. Sabes que nem os Deuses culpei? Desta vez certifiquei-me de arcar com tudo sozinha; só posso lamentar o facto de não me terem levado contigo, de esperar e concordar que seria só um dia de atraso, que o voo não alteraria nada… - alterou absolutamente tudo. E agora são eternidades, eternidades que nos separam até que a morte nos junte.
Não me matou, é certo, mas por variadas vezes desejei que o fizesse: seria uma passagem gratuita com destino ao paraíso.
Vou aguentar, não por mim, mas pela tua imagem cravada na minha mente, pela ecografia que trago no bolso das calças e me recorda que não sou só eu. Estou feliz, é um pedaço de ti, mas não deixa de ser doloroso e cruel.
Até um dia, meu amor.
Etiquetas: antigo, fictício
Ela tem medo, ele dá-lhe a mão
Tropeçam nas gargalhadas do segredo
Contam aos quatro ventos que estão juntos
E a qualquer momento tudo pode quebrar
Amor é querer constante, é contradição
Ou é leve, repousante...
Embalam-se no calor do leito
- Que quadro mais lamechas, parece-me!
Mas sabia bem um abraço forte,
Um sussurro quente ao ouvido,
E uma pegada forte e envolvente
Que me acordasse -
Despertei do sono e soltei um riso alto
Tenho esperado o dia dos príncipes
Mas agora apetece-me mais um super herói
Veloz, divertido e convencido
Afinal falo de mim própria...que seja
Desejo e quero um herói de BD
Um bem impossível, bem ao meu género
Para nos beijarmos fugazmente
Abraçados na luz da escuridão
Enquanto se aproxima mais um combate.
isto também já foi há imenso tempo. eu não sei ser poetisa. Etiquetas: antigo
A rapariguinha avançou pelas folhas secas.
“Tic-tac, tic-tac, tic-tac.”
O relógio avançava sem piedade e a menina sentia-se sozinha.
“Socorro…”
Ninguém a ouve, ninguém a vê e à sua volta as sombras da floresta movem-se rapidamente. Sente-se perdida, quer chamar o seu cavaleiro - aquele que supostamente a defenderia na vida e na morte -, mas depois lembra-se de que ele não é real...
“Eu amo-te.”
É tudo mentira, tudo ilusão e ela está desesperada. Os amigos estão e sempre estiveram lá, mas a princesa entrou no sombrio das árvores porque queria o cavaleiro.
“Onde estás?!”
As lágrimas grossas escorrem na sua pele de porcelana e a tiara de cristal não reflecte coisa alguma. Senta-se no chão molhado a abraçar os joelhos, o vestido sujo de lama, e fecha os olhos.
“Estou aqui…”
A menina agarra os braços como se assim agarrasse os dele.
“O teu cavaleiro não é real.”
Fecha os olhos com mais força e deixa a chuva cobrir-lhe o corpo. Escuta a voz dele tão perto que desiste, decide desfalecer: só assim a poderá ouvir para sempre.
Mais uma vez, a princesinha abraça o cavaleiro.
aos anos que isto já foi.
Etiquetas: antigo